| |
Grito
Minhas
palavras se nutrem
do suor do mundo que brota
das histórias e estórias do trabalho,
do ócio do domingo,
do prazer e dor da carne e
dos dias que correm.
Eu vivo assim,
me alimentando dos pecados do mundo
que buscam em mim
uma garganta para seu grito.
Beijos
Alex
02
/ Fevereiro / 09 / Camboriú SC
|
|
| |
The
Bridge
Sou
a linha entre dois pontos
Nem sempre reta
Por você, abro minhas velas hoje
Amanhã, em você enterro meus tesouros.
Sou a linha entre dois pontos
Nunca os pontos
Planto a semente nesta primavera
Penduro o balanço nos galhos do futuro
Sou
a linha entre dois pontos
Riscada em sangue pela dor
Me deito entre suas pernas pela madrugada
Desperto ontem no útero desse nosso amor
Sou
a linha entre dois pontos
Que se faz ponte
De uma vida apenas de idas
Numa estrada de sentido único
Beijos
Alex
17
/ Janeiro / 09 / Blumenau SC
|
|
| |
Tempo
futuro
Em
2008
só vou fazer
o que me é direito,
o que me é "desejo".
Serei eu.
Serei esquinas.
Onde o tempo
é meu.
Visto torto.
Vivido todo.
Em 2008
eu só desejo
que você esteja
na minha história.
Beijos
Alex
09
/ Novembro / 08 / Campo Grande MS
|
|
| |
Galinha
de Angola
Esse
papo é conhecido...
Um marmanjo com saudades do tempo de criança,
onde não precisava se preocupar com nada.
Responsabilidade pela pedra na janela?
Era de nossos pais, mesmo às custas de palmadas.
A dor passava mais rápido do que a maioria dos nossos
problemas "adultos".
Quero colo, ombro e 1 milhão!
Interrupção...esse texto está saindo sob efeito
de duas cachaças.
Você fica o tempo todo escolhendo.
O certo, o errado, aqui, alí, pra lá, de volta.
Às vezes o vento abre o livro num capítulo passado.
E aí?
Coisas que você dava por resolvidas começam a cheirar de
novo.
Umas dama-da-noite, outras merda pura.
Quero
colo, ombro e 1 milhão!
Onde estávamos 30 anos atrás?
Assistindo Daniel Boone?
Perdendo as unhas no rolimã?
Sei lá.
Eu ali e você aqui.
Tanto faz.
Foda-se!
Foda-se!
Tô fraco! Tô fraco! Tô fraco!
Beijos
Alex
25
/ Outubro / 08 / Campo Grande MS
|
|
| |
Além
Mê
dê sua mão suada
pelo medo desses horizontes.
Esqueça o que viveu.
Esqueça quem te fudeu.
Confie em minha mão
pelo tempo que vier.
Ela aponta além.
Ela quer alguém.
Pelo desejo que nos toma,
agora.
Beijos
Alex
09
/ Novembro / 08 / Campo Grande MS
|
|
| |
Troca
Escolhas
sempre.
Perguntas o tempo todo.
Dou e espero.
Espero para dar.
O que quero preciso dizer.
O que recebo é sempre ouvir.
Beijos
Alex
12
/ Setembro / 08 / Brasília DF
|
|
| |
Revolução
Queimarei minhas cuecas em "Praça Púbica".
Não quero perdão dos meus pecados,
nem anistia para meus pronunciamentos imorais.
Quero a bandeira que cobre meu corpo, rasgado nos dentes.
Retalhos correndo pro esgoto em enxurradas de gozo e suor.
Crianças com a vista coberta por pais que têm o que esconder.
Corre-corre, corre-corre...
Quem persegue?
Quem é o perseguido?
Quem foge dos desejos?
Quem está ofegante nas suas costas?
Corra, corra... até não agüentar mais.
Aí, você cairá de quatro e sua falsa-moral
vai se misturar à fuligem do mundo real.
E vocês, seguros dentro dessa recatada hipocrisia
fingem que tudo que se passa aqui fora é ficção.
E assim,
de palavra-em-palavra
trago seu desejo até mim
para tocá-lo com a ponta da língua.
Beijos
Alex
12
/ Agosto / 08 / Rio de Janeiro RJ
|
|
| |
Pouco
Me dou o direito de ficar
calado.
De sair pela madrugada em silêncio.
De fumar um cigarro sem saber se quero.
Não queira estar junto para justificar sua existência.
Não nasci para ser razão de ser de ninguém.
A Leila roda (novamente)
vertical
no som moderninho.
- Como você pode saber o que eu sinto se nunca ouviu as palavras
que guardo em mim.
Acho que nasci para ser eu e mais alguns.
De tempos-em-tempos repensar o que tinha por certo.
Trocar de CEP e me livrar do fútil (para mim).
Minha vontade de ontem é a sua do amanhã.
Isso é distância e espera.
Qual o seu ônibus?
Qual sua parada?
Beijos
Alex
27
/ Agosto / 08 / Brasília DF
|
|
| |
É isso aííííííííííí
Nunca escrevi aqui sobre
uma verdade minha:
- A verdade é sempre aquela em que você acredita.
É isso sim e pronto!
Depois de 3 caipirinhas e uma lingüíça Portuguesa
no Bar Brasília,
a verdade "verdadeira" com certeza é a minha.
Fique com sua verdade e eu fico com a minha.
Não existe relação, amizade ou emprego que valha
a pena ser
trocada pela fala:
- Tá vendo? Eu disse que estava certo.
Foda-se se eu ou você esteja certo.
Argumente até o próximo chopp se acomodar na mesa ou até
o
próximo jazz alcançar seus ouvidos.
A partir daí, partamos para nossas histórias de infância
regadas a
passarinhos na gaiola e pipas no fio.
Para nossas histórias de amor terminadas (- Amigo, mais uma rodada...)
ou para as que ainda duram (- Amigo, a conta pois minha morena me
espera em casa).
Não sou advogado nem o diabo.
Nossas verdades devem ilustrar nossa conversa e não encerrá-la.
Conte todas suas histórias e eu ilustro com as minhas.
Contarei as minhas e você sorrirá.
Beijos
Alex
12
/ Agosto / 08 / Brasília DF
|
|
| |
Roteiro
para noite n° 01
Vista por cima vestido
claro
com leve transparência.
Essencial mostrar os ombros.
Vista
por baixo conjunto
de algodão branco Any Any.
Soutien meia-taça e calcinha pequena mas que esconda tudo.
Cheire Myriad
Blanc do Boticário (Edição limitada).
Crie
um ambiente onde nada seja exagerado, tudo que possa
atrair a atenção deve sair. A luz deve ser a sua.
Beba
prosecco
gelado (no balde com gelo e água 1h antes).
Taças de cristal.
Coma
salada de folhas novas e molho parmesão. Filé alto de
salmão com pimenta rosa e molho reduzido de shoyu e gengibre.
De sobremesa, pêras flambadas no licor de chocolate.
Ouça
Diana
Krall, Nina Simone, Vanessa da Mata
ou Djavan.
Diga
Estou
com você!
Te dou o roteiro, depois você me conta a viagem!
alextakahashi@uol.com.br
Beijos
Alex
23
/ Julho / 08 / Rio de Janeiro RJ
|
|
| |
Tudo
Todos os seios nas mãos depois de estarem
nos meus olhos,
no meu corpo, as mãos mais delicadas e as mais curiosas,
das peles quase todas,
a me vigiar, os olhos mais atentos e os mais ternos,
cabelos, dos lisos aos que grudavam no banco do carro,
pés que ditavam o caminho e os que fizeram me perder,
dedos que arranhavam ou que indicavam a saída,
bucetas que me envolveram e outras que me consumiram,
pêlos diversos ou nenhum,
cheiros de loucura e de dias de calor,
todas as
bocas antes de tudo mais.
Beijos
Alex
12
/ Julho / 08 / Rio de Janeiro RJ
|
|
| |
Para que serve uma relação?
Drauzio Varela
Uma relação tem que servir para você se sentir 100%
à vontade com
outra pessoa, à vontade para concordar com ela e discordar dela,
para ter sexo sem não-me-toques ou para cair no sono logo após
o
jantar, pregado.
Uma relação tem que servir para você ter com quem
ir ao cinema de
mãos dadas, para ter alguém que instale o som novo enquanto
você
prepara um omelete, para ter alguém com quem viajar para um país
distante, para ter alguém com quem ficar em silêncio sem
que nenhum
dos dois se incomode com isso.
Uma relação tem que servir para, às vezes, estimular
você a se produzir,
e quase sempre, estimular você a ser do jeito que é,de
cara lavada e
bonita a seu modo.
Uma relação tem que servir para um e outro se sentirem
amparados nas
suas inquietações, para ensinar a confiar, a respeitar
as diferenças que
há entre as pessoas, e deve servir para fazer os dois se divertirem
demais, mesmo em casa, principalmente em casa.
Uma relação tem que servir para cobrir as despesas um
do outro num
momento de aperto, e cobrir as dores um do outro num momento de
melancolia, e cobrirem o corpo um do outro quando o cobertor cair.
Uma relação tem que servir para um acompanhar o outro
no médico,
para um perdoar as fraquezas do outro, para um abrir a garrafa de
vinho e para o outro abrir o jogo, e para os dois abrirem-se para o
mundo, cientes de que o mundo não se resume aos dois.
Se entendêssemos assim, não haveria tantas pessoas sozinhas....
Beijos
Alex
07
/ Julho / 08 / Rio de Janeiro RJ
|
|
| |
Pérolas no caminho
Deitada, quase adormecida
Deslizo, desde seus pés,
por debaixo do lençol muito branco.
Minha boca, meu peito e meu sexo roçam
seus pés, sua bunda e suas costas.
Um-a-um, como pares num grande baile.
Minha boca, chega no seu pescoço.
Um colar no caminho.
Minha língua brinca com as pérolas
antes de chegar onde você me quer muito.
Tenha bons sonhos.
Comigo em você.
Beijos
Alex
06
/ Julho / 08 / Rio de Janeiro RJ
|
|
| |
Não quero discutir nada...
O amor parece pedir fusão e cada um de
nós mais espaço.
Nunca fui a favor de brigas nem de longas (e nem sempre positivas)
conversas sobre a relação.
Outro dia folhei um livro que o título era mais-ou-menos assim:
"Não discuta
a relação, apenas faça o que for preciso".
Meus olhos giraram 360° numa expressão de "pensando".
Nós fazemos o que a relação pede?
O que fizemos por nossas relações anteriores?
Justificando os passos, explicando porque somos tão justos ou
que
erramos querendo acertar, perdemos precioso tempo.
Tempo que poderia ser usado em longas massagens, passeios tomando
"a fresca", produzindo suor à dois, ocupando duas poltronas
de cinema,
inspirando a "Dama-da-noite" pelo bairro.
Qualquer que fosse a escolha, se entregues ao momento com total
cumplicidade, isso sim, traria proximidade, geraria afeto.
Outro dia ouvi algo assim:
- Parece que você curte os relacionamentos passados.
- Parece que você curte uma fossa eterna.
- Parece que você sente saudades do que foi.
Acontece que depois que uma relação fica para trás,
também
conseguimos olhar pra ela de fora, com mais imparcialidade e sem se
anular
tanto. É óbvio que assim, todas as relações
parecem mais
fáceis, mais leves.
De onde vem essa necessidade de analisarmos tanto as coisas?
Amor, relacionamentos são para serem vividos sob confiança.
Para o pecado de não viver, não existe fiança.
Beijos
Alex
01
/ Julho / 08 / Rio de Janeiro RJ
|
|
| |
Palavras emendadas
Num
momento em que nada se define e bússola girando louca,
uma decisão: dar rumo maior para minhas palavras.
Decidi que emendarei muitas palavras, uma após outra na
intenção de traçar uma história.
Páginas após páginas na vontade de contar.
Começa aqui uma grata missão de revirar minhas memórias.
Começo hoje meu livro.
Beijos
Alex
18
/ Março / 07 / Rio de Janeiro RJ
|
|
| |

Vento
nas costas
O vento sopra
e leva aos poucos
um pouco de mim.
Células mortas
dessa pele surrada pelo querer.
Fios velhos
dessa Hering gasta pela estrada.
Tudo vagando longe do chão.
Chão,
que era a única coisa que eu busquei.
Me sento na beira da estrada
e o vento continua me empurrando
adiante.
Beijos
Alex
03
/ Fevereiro / 07 / Brasília DF
|
|
| |
Passeio
Com passos embriagados pelos desenhos
que imitam as calçadas de Copacabana,
me encontrará nas madrugadas
de ouvidos dados à Nina Simone.
Com dedos lambuzados de escritas mundanas
e o cheiro da vida de todos que conheci,
manterei em segredo tudo o que você
não me confidenciou.
Esse terno barato que cobre minha timidez
segue impregnado do cheiro de naftalina
do lugar que você guarda suas lembranças.
Se
meus passos forem lentos demais,
me espere com um café ou
me pegue na volta do seu passeio pela "sua" vida.
Beijos
Alex
12
/ Janeiro / 07 / Brasília DF
|
|
| |
|
|
| |
Seu
homem
Estendida na cama, ofegante, ansiosa por ele.
O suor frio anunciando esse momento
onde o prazer também é dor.
A pele se rompe e o sangue se mostra.
As unhas cravam o lençol.
Dentes cerrados.
Seu corpo se contorce.
Nesse momento ela jura que nunca mais, de novo.
É a primeira vez dos dois.
Ela olha nos olhos dele e diz que esse
é o homem da sua vida.
A parteira pega o pequeno Antonio e leva até a janela pro pai
ver.
Ela cai no sono.
Beijos
Alex
|
|
| |
O
bambu
No jardim hoje, um bambu lindo.
Eu lendo Kyoto, de Yasunari Kawabata.
Procurando em mim, e nas pessoas, a flexibilidade.
Voltando ao judô depois de 5 anos longe do tatami.
Meu irmão seguindo pro Nihon.
O Japão e seus bambus me cercando.
Peço a Oyassama que me permita, mais uma vez, mergulhar nas
águas de Arashiyama, comer "râmen do velhinho"
e ver de
perto os carros do Gion Matsuri.
Nunca fui zen, como acham que japoneses são.
Mas há tempos tento encaminhar meu jeito de viver para isso.
Nada é urgente como viver.
Nada é mais importante que o momento.
O prazer do café está no café, na xícara,
no aroma e na calma
ao prepará-lo.
Quando molhamos as plantas, estamos dando a elas companhia
e não água.
Quero o processo.
Os passos.
Não quero uma vida de tarefas a cumprir.
Outro dia, estava de "papo pro ar" literalmente.
Olhando pro céu.
Três. Fui presenteado com três estrelas cadentes.
Pena eu não poder dizer aqui o que pedi.
Pena todo mundo não poder ter três pedidos.
Pena nem todo mundo poder ver três estrelas assim.
Fale calmamente.
Pense calmamente.
Não coma comida pronta, faça em casa.
Coloque as mãos, sinta o cheiro.
Fique perto de gente feliz.
Se estiver cansado ou estressado, cheire seu cão.
Receita minha para acalmar.
Se dê o direito de estar em silêncio.
De não querer falar.
De se deitar no chão e beber o quanto quiser.
Beije tantas almas puder.
Bocas quantas aguentar.
Ouça a música que gostar, mesmo sendo Fábio Jr.
Guarde, no meio de um livro que gosta, algo seu.
Deixe-se surpreender um dia por você mesmo.
Beijos
Alex
|
|
| |
Este texto já estava pronto quando assisti
a animação
"O Castelo Encantado, do mesmo diretor de a Viagem de Chihiro.
Ambos imperdíveis.

Estranho
pássaro
Ela olhando pra janela
O pássaro
na contraluz
O pássaro olhando para ela
Ela muita luz
Ela
em cores novas
Que o pássaro não via
Da janela paisagens
Que o pássaro não conhecia
O pássaro em cores novas
Que não eram as dela
As viagens do pássaro
ela não acompanharia
Voavam
em busca
Um do inverno
O outro do verão
Beijos
Alex
|
|
| |
Aqui
e lá.
Vontade de ser deus
para estar em todo lugar.
Vontade de estar aqui e lá.
Saudade de lá e muito feliz aqui.
Me faço deus em algumas linhas e
posso estar aqui e ..... aqui.
Beijos
Alex
|
|
| |
"Eu"
e o saca-rolhas
Quando um texto meu começar com um "eu", saiba que
estarei tentando te convencer de alguma coisa,
mesmo que inconscientemente.
Pois bem...
Eu sempre acreditei que meia garrafa de vinho operasse milagres numa
pessoa. Ok, ok, penso em mim mesmo como paciente nesse exemplo.
Meia garrafa de vinho, longas conversas madrugada adentro e, perto
das 3h da manhã, consenso.
Mesmo que dure até o grito do despertador na manhã seguinte...
consenso.
Nada mais triste que uma garrafa de vinho... ainda com vinho.
Ahh, tenha paciência!
O vinho ludibria o esperto, atordoa o alucinado e aproxima os desejos.
Vinho é sangue engarrafado.
Calor armazenado.
Tesão ao sacar da rolha.
Ahhh...
Amantes sem vinho, vida sem pulsação.
Coleciono rolhas.
Em algumas, nomes.
Beijos
Alex
|
|
| |
A
terra vai me segurar
Qualquer dia desses a terra vai me segurar.
Preciso me manter em movimento.
Beijos
Alex
|
|
| |
É
por ela que faço as malas e crio saudade.
Decidimos
pelo "nós".
O
prazer de mãos dadas.
Aceitar o desafio de "estar".
Escolher um novo vestido.
Compartilhar a cria.
Noites de conchinha e café na cama.
Nos permitimos amar de novo.
Nos entregarmos "bregamente".
Coração de rosas amarradas pelo aço.
Fechamos os olhos e 23 de setembro está aí.
Quase até sem tempo para nos amarmos.
Nos resta esperar.
Dançarina
de coxas grossas, desliza.
Tornozelos grossos, imobiliza.
Olhar que me come, sem fome.
Escorpiana.
Pernambucana.
Ama.

Essa
moça aí é que mudou o rumo das coisas.
Beijos
Alex
|
|
| |
Alguém
não estará aqui.
Alguém
não estará aqui.
Culpe meus neurônios que decidiram me abandonar definitivamente.
Segunda chuvosa e as lágrimas correram junto de um arrozinho
branco, fígado acebolado, cachaça e Sá & Guarabyra.
Os dedos dos meus pés frios desistiram do parapeito, também
frio.
Alço vôo.
Cada janela, uma saudade sem fim.
Na primeira, meus pais à frente da TV.
Me vejo entre eles e a Telefunken rumo ao meu quarto.
Providencio meu sono e pêlos na palma da mão pensando na
Cristiane Torloni.
Guerras de formigas saúva, empinar marimbondo, batalhas sangrentas
de Siriguela, meu melhor amigo e sua mãe gorda, teta de nega
(o doce),
e descobrir os primeiros pêlos no saco.
Meus pais brigando, pescarias em Minas, trabalhando de verdureiro
no bairro das putas, meu tio Sabino me dando sorvete para curar
gripe, apelido de Cascão e chutar macumba na Usina Ester.
Serviço
militar, Benzetacil, 28°
BIB, bebedeiras, Starship, Cuba Livre,
ainda Sá e Guarabyra mas também Queen, Rush e um baixo
que
nunca está afinado.
Coração
de estudante, poemas na parede do bar, Sá e Guarabyra,
noites
quentes, bolinações sob o cobertor e sexo debaixo do limoeiro.
Casa de fundo na rua da feira, casa no fundo do Olhar 43 e
sandubas naturais fazendo companhia para as mamadeiras do Rami.
Primeiro carro, estrada com pai e irmão, cachorro atropelado,
Rural Willys, Rolling Skate, carne-viva e Carne Moída.
Manolo em mim até hoje, futebol na quadra em Fernando de Noronha
e
o tempo diferente para cada um.
Algumas
janelas abaixo e Kyoto, suas luzes, seu rio, Shizuya, ruas
cobertas, Takashimaya, Lâmen do velhinho e o primeiro floco de
neve.
Bilo, um encontro. Clarinha uma surpresa. Manolo em despedida.
Grá.
Floripa, Déa e Biazinha e ObsCenas.
Depois Má
e Gabriel.
Praia da Daniela e esculturas na areia.
Gillian
e muito pouco tempo.
Outras janelas abaixo e outras histórias...
Uma carona, uma Carol e ver o que não acreditava.
Paula,
Vera, José, Rami, Mônica, Clarinha, Akira, Pepa, Flea e
Lau.
Mais poemas, avenca, almoço no shoppinho, balde de Bohemia no
Bem Bom, boliche com Rami, vôvo au-au...
Uma
dor dilacerante e braços enlaçados em mim mesmo.
A
ficha caiu.
Caio
em pé no meio do eixo-monumental.
Beijos
Alex
|
|
| |
Pálpebra
vibrando.
Chegue pertinho do rosto dela.
Bem devagar.
Sinta o perfume que ela usou pra você...
se misturando ao creme que ela usou pra você...
misturado ao suor que ela produziu com você.
Sinta a penugem que cobre a pele.
O calor que se desprende.
Os lábios trêmulos.
Feche
os olhos.
Encoste seus lábios na pálpebra dela.
Sinta o tempo passar nesse lugar.
Um beijo sem sexo.
Um beijo de olhos fechados.
Pra confiar.
Beijos
Alex
|
|
| |
Se
me lembro bem (se é que minha memória não está
me traindo),
eu nunca fui "Escancaradamente pornográfico" em nenhum
texto,
apenas nos poemas. Aí vai...!
Deus-me-livre!
Sexo é pra ser escancarado!
Sexo é pra ser puto e sem-vergonha.
Deus-me-livre de mulheres que não ficam "peladas" com
a luz acessa.
Imperfeição é ter vergonha.
Simone de Beauvoir em preto e branco.
Linda e maravilhosa na imperfeição.
Deus-me-livre de homens que não chupam suas mulheres e
de mulheres que não puxam a cabeça deles para o seu sexo.
Sexo oral é beijo abaixo do umbigo e acima da intimidade.
Tem tudo do boca-a-boca e mais a aceitação.
Deus-me-livre de beijo sem saliva.
Tenho pena dos amantes com beijos de lábios cerrados e higiênicos.
Línguas secas são borrachas Mercur trabalhando na censura
da libido.
Línguas molhadas, rios que correm montanha acima.
Deus-me-livre
das
noites sem palavras chulas.
A cama dos amantes é casa de "putas" e "cachorros".
O tempo é sempre "presente". Agora!
O tempo é sempre "presente". Doação!
Deus-me-livre do que estiver do lado de fora destas quatro paredes.
Não me interessa o mundo dos castos e corretos.
O céu - da boca, pertence aos que sentem o prazer de estar...
no outro.
Beijos,
onde você quiser.
Alex
|
|
| |
Ahhhh ... tranças.
Durante
toda minha vida cultuei um certo grau de fetiche por tranças.
Cabelos pretos, lisos, brilhantes e trançados.
O
mais distante que consigo chegar na busca de uma data para
o nascimento dessa fixação, são os filmes de Daniel
Boone.
Índios e índias sempre de tranças desfilavam pelas
minhas tardes à
frente da TV Telefunken preto & branco e Ki-Suco.
Quase aos 41 anos, resolvi "juntar os trapos" com Raquel.
Tudo como manda o figurino: alianças, casamento, buffet, lua-de-mel,
noivinhos sobre o bolo...
Em setembro, ao meu lado, Raquel de tranças.
Beijos
Alex
|
|
| |
Pronto!
O Língua Viva é real, foi impresso e o lançamento
foi
muito legal. Agora, se você não foi e quer seu exemplar,
me envie um e-mail.
Beijos
Alex

|
|
| |
"Começar de novo
e contar comigo
vai valer a pena
ter amanhecido..."
Nos
tivemos apenas por uma noite e ela me diz assim:
- Alex, me esqueça, toque a vida.
Mantivemos por um tempo os 1000km assim, 1000km entre nós.
Ela volta, agora por mais noites e mais dias.
Quase reclusos, acessíveis quase que apenas um ao outro.
Acho que ambos precisávamos disso.
Precisávamos sentir palpitações na frente de alguém.
Precisávamos nos dar por satisfeitos apenas por olhar o outro.
Sentíamos falta de mãos dadas e eu, do seu ombro macio.
O segundo melhor-lugar-do-mundo.
Esperamos pelo tempo do outro chegar.
Tudo bem, ela precisa ir e eu ficar.
Mais um vôo e lá está ela e aqui eu, 1000km assim,
sozinhos.
Ela vem pela terceira vez.
Armação dos amigos.
Era para ser numa quinta, mas na terça, um pouco antes
do creme de abóbora da Má ela chega.
Ainda me sinto bobo diante das imitações de minha reação.
Dias incríveis, noites esperadas.
Acordo ao lado dela e me sinto homem de alguém.
Seu cheiro doce ronda meu dia.
Um "Para sempre" decora meu banheiro.
Sim, é minha vontade também.
Na porta da cozinha, ela me pede em casamento.
Eu aceito.
Falo de aliança.
Compramos.
Falamos no "Para sempre" e vamos marcar o dia do "Sim,
aceito".
Tenho uma aliança na mão direita, por pouco tempo.
Ela quer e eu também, uma na mão esquerda, amigos ao redor,
vestido branco, água corrente e Clarinha à frente.
Brasília me espera em nome de Raquel.
Quero consumir a distância dos dias, letárgicos
e amenos.
Um-a-um, até da sua boca sair o "sim".
E aí, ao som de latas sendo arrastadas e
arroz dentro dos sapatos,
esquecermos de todos por algum tempo,
para pensar somente em dois.
Beijos
Alex
|
|
| |
É mais fácil escovar os dentes
quando acordamos com um sorriso
estampado no rosto e parágrafos que
nada têm a ver um com os outros...
Estou com
uma vontade enorme de mudar de rota.
Sair com o cabelo despenteado.
Vestir a camiseta Hering do avesso.
Partir prá cima.
Desafiar o destino comportadinho.
Rasgar as cartas de Tarot e chupar os búzios como balas Soft.
Beijar de língua no shopping e gritar que amo aos 40.
Dormir à tarde e aprender à dançar.
Sentar na praça onde os noivos são fotografados.
Comer pipoca vermelha.
Parar de dizer sim para gente que não conheço
e
não para quem amo.
Se disser que me ama,
te pegarei firme e a jogarei sobre minha vida.
Sua queda amortecida pela minha espera.
Sim,
todo amor é sagrado...
Música pra quem tem mais que 35 e para quem se lembra do
Clube de Esquina.
Beto Guedes, Flávio Venturini, Sá & Guarabyra e por
aí vai.
AMOR
DE ÍNDIO
Beto Guedes e Ronaldo Bastos
Se
quiser ouvir é só clicar
aqui.
Tudo que move é sagrado
e remove as montanhas
com todo o cuidado, meu amor.
Enquanto a chama arder
todo dia te ver passar
tudo viver a teu lado
com arco da promessa
do azul pintado, pra durar.
Abelha
fazendo o mel
vale o tempo que não voou
A estrela caiu do céu
O pedido que se pensou
O destino que se cumpriu
de sentir seu calor
e ser todo
Todo dia é de viver
para ser o que for
e ser tudo
Sim,
todo amor é sagrado
e o fruto do trabalho
é mais que sagrado, meu amor.
A massa que faz o pão
vale a luz do teu suor
Lembra que o sono é sagrado
e alimenta de horizontes
o tempo acordado, de viver.
No
inverno te proteger, no verão sair pra pescar
no outono te conhecer, primavera poder gostar
no estio me derreter
pra na chuva dançar e andar junto
O destino que se cumpriu
de sentir seu calor e ser tudo.
Beijos
Alex
|
|
| |
O melhor amor é o feito com os dedos.
Os dedos ásperos nas cordas do violão.
Os dedos finos do artista.
O
dedo que indica o rumo, que é centro-oeste.
O
amor acontecendo na ponta dos dedos.
Seus dedos em minhas costas.
O meu, delineando seus lábios.
Os nossos, cruzados por um futuro definido.
O
amor acontecendo na ponta dos dedos.
_______________________________________________
Roupas
no varal, distância e o sabor das pêras.
Dias e noites de poucas palavras e muita coisa dita.
Preciso acreditar na viabilidade dos desejos.
_______________________________________________
Beijos
Alex
|
|
| |
Despedindo-se do verão...ele vai para onde?
A Vera sugeriu que nosso próximo encontro dos amigos aconteça
à beira da piscina e com clima de festa para nos despedirmos
do verão.
Nessa correria, eu não me lembro e não percebo mais quando
o verão chega ou vai embora.
Quando criança, as estações eram acompanhadas de
vaga-lumes, flores, carrinho de rolimã, guerra de seringuela
(é assim que se escreve?), bolo de cenoura, chup-chup, formiga
com asas, o cheiro do pão da dona Dirce tomando conta da rua,
batata-doce na fogueira no terreno baldio, banho de enxurrada, briga
de formiga saúva, pipa, bolinha de gude.
Limão, manga coração-de-boi, caqui, pitanga, abacate,
ovo de galinha-de-Angola e garnizé, marimbondo, tudo vinha do
quintal avisando que o tempo mudou.
De alguma forma nossa rotina era alterada com sinais e possibilidades
de se fazer isso ou aquilo.
Quando escoteiro, sabíamos que flores surgiriam a cada estação,
o comportamento dos pássaros, que tipo de clima nos esperava
para o bivaque ou acampamento. Olhávamos para as estrelas para
encontrar o norte e dentro do saco de dormir, sonhávamos com
as aventuras que nos esperavam ao amanhecer.
Hoje, quem me avisa que o outono está chegando são as
liquidações de inverno. Quem me separa do verão
é o ar-condicionado do carro.
Beijos
Alex
|
|
|
Um disse-me-disse danado
O terapeuta me disse...
- Você faz tudo pelos outros, e como fica você?
Os outros me dizem...
- Você só pensa em você, e como ficam os outros?
O
Alex me diz...
- Você precisa ser mais "hoje".
Me sinto no automático.
Acordo, cuido dos "cabeçudos", coloco roupa para lavar,
recolho lixo, varro a casa, Lau faz xixi, passo café, o pão
pula da torradeira, me banho, passo a camiseta branca, me sento e digo
"Online" para o mundo.
O envelopinho
alucinado
no rodapé da tela registra a entrada de dezenas de mensagens.
Tem spam, corrente, promessa, promoção, trabalho e olá
de todo lado.
Nenhuma resposta para minha pergunta.
Me vejo na espera do amanhã para pensar
nele como ontem.
Beijos
Alex
|
|
| |
Encontros
Estou escrevendo este texto depois de terminado o encontro de hoje da
"Nossa Segunda Cai na Quarta". Sempre que nossos encontros
terminam, acabo permanecendo sozinho, recolhendo um copo aqui e outro
ali, o que proporciona um tempo para pensar nos motivos de encontrarmos
determinadas pessoas pelo caminho.
Temos nos encontrado para beber, comer, conversar,
mas basicamente para brindar o encontro. Fico imensamente feliz que
a Paula e a Carol estejam se cuidando mutuamente, que o mesmo esteja
acontecendo com a Vera e o José, com a Mônica e o Rami,
com a Grá e a Má (e Gabi) e outros tantos amigos. O Orkut
da vida real precisa ser infinito. Deveria faltar tempo para aceitarmos
tantos pedidos de pessoas querendo fazer parte de nossas vidas. Quem
me conhece deve ter me ouvido dizer alguma vez que... "dessa vida
não levamos o dinheiro que está sob o colchão,
mas as histórias que compartilhamos com pessoas especiais".
Tenho dado extrema importância para o despreendimento da Paula
em freqüentar esses encontros (amo de paixão essa garota).
Talvez, essa "menina" mesmo sem saber, entende o que penso.
Minha memória é curta para muita coisa, mas meu coração
tem espaço de sobra para quem quiser chegar com suas histórias.
"Eu só quero saber em qual rua minha
vida vai encostar na tua"
(Ana Carolina)
Este
clip já ilustrou um texto meu que a pedido foi excluído.
Mesmo que não entenda coreano, clique sem medo de chorar.
Trata-se de um encontro.
http://www.youtube.com/watch?v=h27hWSeVsAM
Beijos
Alex
|
|
| |
Beijos, gelatina e o que levamos.
Estou
sentado na frente do computador olhando para esta tela rosa, fumando um
Carlton Capuccino (não sou fumante), tomando uma Miller, brincando
com uma tijelinha de amendoim sem pele e Ana Carolina saindo da caixa
de som.
________________________________________________________
Todos os dias, na hora da "merenda", durante o ano que frequentei
o pré- primário, eu fazia questão de pegar todas
as gelatinas que podia.
Não me preocupava com o restante da merenda.
A gelatina era moeda valiosa como cigarro na cadeia.
Eu me enfiava sob da longa mesa do refeitório, tomado pelo cheiro
de leite de soja e pão com margarina e circulava me arrastando
à procura das meninas que me chamavam a atenção e
trocava um potinho de gelatina por ..... um beijo.
Minha mãe foi chamada várias vezes pela diretora, mas como
eu não representava nenhuma ameaça para as meninas (só
para o estoque de gelatina), ficava só na advertência.
Sorte minha que podia continuar com minhas primeiras e intermináveis
aventuras.
Lembro-me que foi a Lúcia, minha professora nessa época,
meu primeiro amor. Se não me engano, até meus 10 anos, minha
mãe me ainda me levava na casa dela no dia dos professores para
entregar um presente.
________________________________________________________
Já
adolescente, minha timidez era exagerada.
Lembro-me que uma garota, mais velha, mais alta e mais experiente, se
apaixonou por mim na 7° série. Se chamava Sandra. Foi ela que
disse que estávamos namorando e que todos os dias eu deveria esperar
na saída para levá-la pra casa (que ficava na direção
oposta à minha).
Ela dizia isso e aquilo. Eu, aprendendo.
Algumas vezes, tentei
escapar pela saída da diretoria.
Funcionou apenas uma duas vezes.
Na terceira, a irmã Suzi, me esperava nessa saída.
E lá ía eu, de mãos dadas, levar minha namorada Sandra
até sua casa.
Bem, rolavam algumas paradas providenciais no trajeto.
A principal era atrás do Seminário dos padres, hoje Engenharia
Sanitária da PUCC. Normalmente ela me beijava.
Na época (eu disse "na época") eu achava seu beijo
muito molhado.
________________________________________________________
Penso no que levamos dessas histórias pro resto de nossos dias.
Para as outras histórias de amor, para os outros beijos, outros
encontros.
Termino esse texto sem buscar respostas nem conclusões.
Prefiro continuar redescobrindo o amor, com beijos roubados ou merecidos.
Beijos,
de todos os jeitos.
Alex
|
|
| |
Quando olhamos para fora, sonhamos.
Quando olhamos para dentro, despertamos.
Carl
Jung
|
|
| |
Medo do quê? De embarcar?
Tenho
pensado muito no medo de amar.
Tanta gente sem coragem de arriscar.
Minha mãe, que deve ter uns sessenta e poucos anos, nunca teve
medo de amar. Chegou a ter dois namorados ao mesmo tempo, por algum
tempo. Sempre teve homens interessantes e interessados nela.
Depois de se separar, se apaixonou por Carlos, que morreu.
O amor sobreviveu.
A Vera amou Camilo, que também se foi.
O amor sobreviveu.
O sogro dela, com 80 anos se casou meses atrás pela segunda vez.
Totalmente apaixonado.
Se ama junto, se ama separado, se ama existindo e para sempre.
Por que não embarcar nessa viagem?
O amor é um cinto de segurança, que aperta o quanto permitirmos.
________________________________________________________
Você pousa nos meus dias e traz
na bagagem excesso de medo.
Desarruma minha cama, como quem desfaz as malas com pressa.
Como
num passaporte, sua pele leva o carimbo da minha boca.
Você parte acreditando que não fez esta viagem.
________________________________________________________
Clique
e ouça www.zenpoo.com.br/sinais_de_fogo.mp3
Eu
continuo me arriscando, levando tombos, aprendendo, levando tombos mas
vivendo. Claro que nem sempre de peito aberto, nem sempre com toda a
coragem necessária para encarar tudo de novo, mas com a certeza
de que vale a pena.
Beijos
Alex
|
|
| |
Escolhas
Sempre
acreditei em decisões tomadas pelo coração.
Nunca me arrependi por ter sempre bancado histórias simplesmente
por amor. E como tudo, sempre criamos a expectativa que o "outro"
também faça assim, pense assim, aja assim. E vamos dando
nossas cabeçadas.
A vontade é grande em querer questionar por que alguém escolhe
este ou aquele caminho, porque escolhe este ou aquele vestido ou este
ou aquele amor.
Dois poemas já publicados aqui ...
_____________________________________________________
Você
faz suas escolhas, eu aceito o momento.
Você acredita nos passos, eu procuro um caminho.
Você vive os dias, eu risco as paredes.
Você nega o amor, eu boto fé no futuro.
Você decide, eu aprendo.
Você não fala, eu escuto.
Você incoerente, eu lógico demais.
Você Moby, eu Leila.
Você inabalável, eu deixando escorrer.
Você vai, eu estou.
_____________________________________________________
Hoje
estou apenas triste.
Triste pelos olhares sérios nas ruas.
Pelo vento constante.
Pelas nuvens cinzentas que não farão chuva.
Pelo olhar da senhora atrás das grades de sua casa.
Pela pressa dos carros.
Pela lâmpada que sempre queima.
Triste por não ver meu filho faz tempo.
Pela minha neta que não dorme aqui.
Pela mancha em minha camisa preferida.
Por te convivido pouco tempo com meus avós.
Pela caixa de correio sem notícias de longe.
Pelo passaporte ainda com folhas em branco.
Triste pela música que entra pelos meus ouvidos.
Pelo cão sem uma pata que revira o lixo.
Pela vida dos personagens do livro que li.
Pelo escorpião dentro do vidro de álcool.
Pela barriga da menina no semáforo.
Por meu pai estar se apagando.
Triste pela roupa no varal.
Pela planta sem água.
Pelo arroz que queimou.
Pelo silêncio na casa.
Pelas histórias de amor que começam e terminam.
Por amar e ter esperança.
_____________________________________________________
Beijos
Alex
|
|
| |
Nossa segunda cai na quinta.
Nossas
quintas-feiras são assim: as
pessoas mudam, as histórias
se renovam, os sons se alternam, os sabores nos surpreendem.
Você
sabe por onde andam seus amigos?
- Por aí!
Resposta errada!
Deveriam estar por perto.
Antiga mas acho linda... www.zenpoo.com.br/friends.mp3
Dionne Warwick, Peblee Brison e Steve Wonder...acho...rs.
Beijos
Alex
|
|
| |
Estações
Por
onde anda sua pele,
seu hálito quente e seus dedos?
Não ouço sua voz,
não leio suas palavras e o amanhecer não me surpreende.
Meus olhos correm pela tela à espera do seu "online".
Quisera determinados dias se repetirem,
repetirem, repetirem...
Às vezes olho pela janela de casa e me vejo num trem.
A vida passando lá fora e eu aqui, só observando.
Preciso descer logo.
Vou colocar a cabeça para fora, sentir o vento e o
cheiro dos trilhos.
Adoro cheiro de trilhos.
Vou escolher uma estação e saltar.

Na animação "A Viagem
de Chihiro" muitas estações.
Beijos
Alex
|
|
| |
Distante 1000km
"O
valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na
intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis."
Fernando Pessoa
Essa
frase de F. Pessoa já encerrou um outro texto meu.
Parecia ter efeito de uma ilustração
junto ao texto, mas hoje, não mais.
Conheci uma pessoa que deu um sentido muito verdadeiro para essa frase.
Estive com ela um único dia, uma única noite. Mais nada.
Isso basta para ela saber o que tudo isso significou.
Sabemos onde um encontrar o outro.
Sentirei
muita saudades de você.
Se cuide.
O
vermelho das rosas
aprisionado pelo aço.
O
picante dos cravos
inalado pela alma.
Tanta
provocação
contida numa caixa.
Decida-se
por embarcar
nessa viagem pelos sentidos.
Ouçam...é só clicar
www.zenpoo.com.br/derretendo.wma
www.zenpoo.com.br/e_isso_ai.mp3
www.zenpoo.com.br/praruamelevar.mp3
Beijos
Alex
|
|
| |
Glacial
Meu
último texto de 2005 carrega tantas dúvidas sobre o que
vivi até estes meus 40 anos, quanto certezas para os próximos
30 ou 40.
Amenidades conversarei com meu barbeiro.
Barbaridades com quem amo.
Não quero um torpedo "encaminhado"
com votos de Feliz Natal.
Quero hálito quente e ofegante na minha frente.
Amigos não serão demais.
Quero mais.
Escrever e olhar pra Clarinha, se tornaram vício.
Quero overdose.
Não quero um amor glacial.
Quero mãos suadas.
Não pode faltar vinho.
Não pode sobrar garrafa cheia.
Quero ver mais espíritos parecendo vivos.
Ver menos gente viva parecendo morta.
Quero um ano de 365 dias, cada um com 24 horas.
Nada além do que me é de direito.
Para o amor, repito isso...
Eu
quero um amor assim...
tão sincero que pareça primitivo,
tão transparente que todo mundo consiga vê-lo,
demasiado verdadeiro que todos duvidem existir,
absurdamente intenso para ser só humano.
Eu quero um amor assim...
que o que sair da boca alcance o coração,
que estar junto não seja apenas no endereço,
que se a mão transpirar seja por excesso de paixão,
que o tempo não tenha pressa.
Eu quero um amor assim...
seja ele de ontem ou de amanhã,
novo ou velho,
um início ou um recomeço,
mas que seja um amor
assim...
Beijos
Alex
|
|
| |
A última Segunda dos Amigos de 2005

Taí, o
primeiro registro das Segundas dos Amigos. Por incrível que pareça,
o número de participantes aumentou 50% na última reunião
(risos), esta que foi a última de 2005. As segundas-feiras de 2006
nos esperam com vinho, cachaça, música, boa comida e muitas
risadas e histórias.
A comida estava boa, não estava?
Beijos
Alex
|
|
| |
O
mais-que-perfeito Jards Macalé / Vinícius
de Moraes
Ah,
quem me dera
Ir-me contigo agora
A um horizonte firme, comum
Embora
Ah, quem me dera amar-te
Sem mais ciúmes
De alguém em algum lugar
Que nem presumes
Ah, quem me dera ver-te
Sempre ao meu lado
Sem precisar dizer-te
Jamais cuidado
Ah, quem me dera ter-te
Como um lugar
Plantado num chão verde
Para eu morar-te
Ah, quem me dera ter-te
Morar-te até morrer-te
Beijos
Alex
|
|
| |
Segundas
especiais
Duas semanas atrás, a Vera tinha
combinado de passar aqui em casa para batermos papo e tomar vinho. Durante
a tarde a Má e a Grá ligaram dizendo que estavam a caminho
para prepararem uma salada.
Um encontro combinado às pressas.
Um grande encontro.
Uma salada maravilhosa, pão italiano, vinhos, música, muita
conversa, lembranças, histórias...
E daqui em diante, toda segunda, é uma segunda dos amigos.
As segundas se tornaram segundas especiais.
Traga, suas histórias, seus Cds, suas experiências, sua felicidade.
Tem gente querendo ouvir, participar, falar, ver e até chorar junto.
A gente quer juntar almas e cruzar caminhos.
Só falta a vista pro mar...
Beijos
Alex
|
|
| |
Dedos nos ponteiros
Na ponta dos dedos,
volto os ponteiros e,
se eles me obedecerem ...
ia querer mais olhos-nos-olhos,
mais palavras e menos silêncio,
mais coração e menos impulso,
mais humildade e menos orgulho,
protegeria seu sono do caminhão de gás,
declararia ainda mais meu amor,
não cortaria suas asas, mas acompanharia seus vôos,
gritaria mais e me calaria menos.
diria que seu decote passou do ponto,
e o suor da sua mão me faz falta.
se os ponteiros me aceitassem,
eu estaria sempre com ela, sem sair de mim.
Beijos
Alex
|
|
| |
Assim
Eu
quero um amor assim...
tão sincero que pareça primitivo,
tão transparente que todo mundo consiga vê-lo,
demasiado verdadeiro que todos duvidem existir,
absurdamente intenso para ser só humano.
Eu quero um amor assim...
que o que sair da boca alcance o coração,
que estar junto não seja apenas no endereço,
que se a mão transpirar seja por excesso de paixão,
que o tempo não tenha pressa.
Eu quero um amor assim...
seja ele de ontem ou de amanhã,
novo ou velho,
um início ou um recomeço,
mas que seja um amor
assim...
Beijos
Alex
|
|
| |
Lá e cá
Você faz suas escolhas, eu aceito
o momento.
Você acredita nos passos, eu procuro um caminho.
Você vive os dias, eu risco as paredes.
Você nega o amor, eu boto fé no futuro.
Você decide, eu aprendo.
Você não fala, eu escuto.
Você incoerente, eu lógico demais.
Você Moby, eu Leila.
Você inabalável, eu deixando escorrer.
Você vai, eu estou.
Beijos
Alex
|
|
| |
Novas descobertas...
Duas novas descobertas:
Isabella Taviani e Jussara Silveira.
Procurem
pelos Cds na internet e ouçam.
Foto Polaroid
Isabella Taviani
Sabe o que me cansa?
São essas suas palavras
Que tenho que arrancar
Do meio da tua garganta, criança
Que tenho que trazer de dentro do teu peito, perfeito
Mas eu aqui, largada num canto desse apartamento
Choro mais, choro menos
Tanto faz, você, você não vem mesmo
Mas eu aqui, eu aqui, morrendo
Desaparecendo como uma foto Polaroid
Morro mais ou morro menos, tanto fez
Você não veio mesmo
Sabe o que me mata?
São teus olhos de vidraça
Fosca , embaçada a jato de areia
De onde não mina uma lágrima
Teu olho turmalina, pedra muito negra
Como esse tal amor por mim
Sabe, eu odeio adorar seu jeito simples de viver
Ver você sorrindo assim, loucamente
Quando estou aqui, presente
Sentir suas pernas trêmulas
Depois do prazer satisfeito
E é por isso que eunão aceito, eu não aceito não
Ver você assim, retrocedendo
Abrindo mão dos sonhos, fantasias
Por essa covarde covardia
Muito menos pagando o preço dos nossos pecados
Nem se fosse dez centavos
Fria
Claridade
Jussara Silveira - Letra e música de JM Amaral / PH de Mello
no meio da claridade
daquele tão triste dia
grande, grande era a cidade
e ninguém me conhecia
então passaram por mim
dois olhos lindos depois
julguei sonhar vendo enfim
dois olhos como há só dois
em todos os meus sentidos
tive o presságio de Deus
e aqueles olhos tão lindos
afastaram-se dos meus
acordei e a claridade
fez-se maior e mais fria
grande, grande era a cidade
e ninguém me conhecia
Beijo
Alex
|
|
| |
Contagiado pela Zélia
Como você já deve ter percebido, me sinto
contagiado pelo trabalho de Zélia. Mais uma vez estou postando
algumas letras de seu mais novo trabalho: Pré,
pós, tudo, bossa, band. Imperdível como tudo que alcança
alma.
CARNE E OSSO
Moska - Zélia Duncan
A alegria do pecado
Às vezes toma conta de mim
E é tão bom não ser divina
Me cobrir de humanidade me fascina
E me aproxima do céu
E eu gosto
De estar na terra
Cada vez mais
Minha boca se abre e espera
O direito ainda que profano
Do mundo ser sempre mais humano
Perfeição
demais
Me agita os instintos
Quem se diz muito perfeito
Na certa encontrou um jeito insosso
Pra não ser de carne e osso
Pra não ser carne e osso
DIZ NOS MEUS OLHOS (INCLEMÊNCIA)
Guerra Peixe - Zélia Duncan
Pensei que haveria um pouco mais
De amor para mim
Guardei cada luar
Cada verso encoberto
Nas notas da canção
Pra quê?
Se um vazio me esperava e eu não percebi
Devolve meus dias, minha alegria
Diz nos meus olhos verdades ruins
Que não foi bom rimar
Cada carinho que eu fiz
Que a minha
voz cantada
Nem soa tão bem
Que os nossos sonhos
Foram pesadelos, enfim
Mas pelo menos fala pra mim
Esse silêncio é que me atordoa
Se foi tudo à toa
Volta e me deixa
Me recolho,
volto ao meu mundo
O que é só meu, tem que voltar pra mim
Me lembro quando você passou
Era um dia tão claro de sol
Pensei, meu Deus, é um sonho
Meu coração feito um louco batuque
Por isso agora
Não me machuque
Vou te guardar como triste lembrança
Ninguém jamais vai me enganar outra vez
Eu prometo a vocês.
MILÁGRIMAS
Itamar Assumpção - Alice Ruiz
Em caso de dor, ponha gelo
Mude o corte do cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema, dê um sorriso
Ainda que amarelo
Esqueça seu cotovelo
Se amargo for já ter sido
Troque já este vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério, deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada milágrimas sai um milagre
Em caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa
Coma somente a cereja
Jogue para cima, faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra apenas, viva apenas
Sendo só fissura, ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena, reze um terço
Caia fora do contexto, invente seu endereço
A cada milágrimas sai um milagre
Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas, três, dez, cem mil lágrimas, sinta o milagre
A cada milágrimas sai um milagre
Tudo ou nada
Itamar Assumpção - Alice Ruiz
Come on, Baby
Transformar esse limão em limonada
Passar da solidão pra doce amada
Pegar um trem pra próxima ilusão
Come on, Baby
Segurar esse rojão metade cada
Seguir o coração em disparada
Numa estrada que só tem a contramão
Come on,
Baby
Arriscar num passe só de palhaçada
Faz de conta que o que conta conta nada
Apostar na falta de exatidão
Come on, Baby
Repartir toda noite em vários dias
Repetir tudo o que seja alegria
E sonhar na corda bamba da emoção
Come on,
Baby
Voar sem avião, sem ter parada
Inverso da razão ou tudo ou nada
Fazer durar a chuva de verão
Come on,
Baby
Você e eu, luar, beijos, madrugada
A vida não tá certa nem errada
Aguarda apenas nossa decisão
Só uma fração de outra letra...
"Posso brincar de eternidade agora, sem
culpa nenhuma"
Beijos
Alex
|
|
| |
Casamento
de almas
Há alguns dias tenho pensado numa pessoa
que passou pela minha vida de forma tão rápida e tão
marcante que se tornou inesquecível.
Vou preservar o nome dela chamando-a de Gil.
Quem conheceu o Obs.Cenas talvez conheça a história de Gil.
Essa mania de escrever poemas e textos, começou uns 7 anos atrás.
Escrevi alguns poemas eróticos (que você encontra neste site)
e uma amiga minha (a Grá da www.artefuzue.com.br)
teve a idéia de montar uma exposição.
Nasceu assim o que eu chamo de Projeto Obs.Cenas.
A Grá me fotografou junto com a Andréa (ex-esposa), juntamos
essas fotos aos meus poemas e isso se transformou numa exposição
numa galeria de arte durante um mês e depois mais um bom tempo na
extinta pizzaria Fiduccia do Cambuí (do Cidão).
Se não me engano foram 17 fotos e 17 poemas.
Alguns em forma de instalação.
Para uma das fotos precisávamos de 3 pares de pernas e a Gil é
que foi convidada para completar essa foto.
Conhecemos a Gil nesse momento.
Depois acho que a encontramos só mais uma vez.
Depois disso ela sumiu.
Ela tinha um problema sério de saúde que se agravou e ...
Bem, ficamos sabendo tempos depois que ela ia passar por um tratamento
sério ou operação num hospital em SP.
Fora a mãe e o irmão, eu e a Andréa fomos as únicas
pessoas que ela permitiu visitá-la. Depois disso, ela voltou pra
Curitiba para a casa da mãe para continuar o tratamento. Alguns
meses depois ficamos sabendo que ela já tinha falecido.
Com algumas pessoas o casamento de almas não precisa de tempo nem
convivência. Apenas acontece. Não é escolha, não
é querer nem procurar.
Vimos a Gil fisicamente na nossa frente 3 vezes mas ela não saiu
mais de nossas vidas.
"O
valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na
intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis."
Fernando Pessoa
Beijos
Alex
|
|
| |
Tempo
Quero
os dias passados,
as semanas corridas,
os anos brindados.
Me deixo acreditar
na irrealidade
do hoje,
no improvável
amanhã e
na possibilidade
do ontem.
Vou até onde meus pés aguentam.
Fico onde consigo chegar.
Volto até o ponto que quiser.
Na busca do passado,
perfeito.
"Passo por passo / Eu morro ontem / Nasço
amanhã / Ando onde há espaço: / Meu tempo é
quando." Vinícius
de Moraes.
Beijos
Alex
|
|
| |
Dona
Lurdes, o bonsai e unhas curtas
Dona Lurdes é uma senhora, negra, idosa, grande
e com um abraço delicioso.
Dona Lurdes é para quem minha mãe levava os filhos para
serem "benzidos".
Se estivéssemos com febre, dor de barriga ou caindo muito, é
por que estávamos com "quebranti".
Hoje acho que, o que nos curava era seu abraço.
Será que meus pais não me abraçavam o suficiente
a ponto de eu me reconfortar nos braços dela?
Semanas atrás, depois de anos, minha mãe pediu que eu
a levasse na Dona Lurdes.
Minha mãe sempre caiu mais que os filhos.
Quando criança eu pensava...
- Nossa que quebranti forte esse.
O abraço da Dona Lurdes continua o mesmo.
No quintal, arruda, alecrim... uma viagem olfativa à minha infância.
Dona Lurdes disse sonhar com um bonsai.
Por que não presentear quem manteve meu anjo da guarda acordado
por 40 anos?
Os pais da Dona Lurdes eram funcionários da fazenda em Amparo
onde meus avós japoneses cultivavam orquídeas. Ela vivia
apanhando do pai porque insistia em se encontrar escondido com um de
meus tios no cafezal.
- Lurdes, filha de funcionário não pode namorar filho
do patrão.
E descia a cinta nela.
Ela reencontrou esse meu tio 40 anos depois.
Ela passageira, ele motorista de táxi.
A corrida toda, só risadas.
Numa
manhã de sábado fui atrás de um bonsai pra Dona
Lurdes.
Acabei encontrando numa floricultura que nem sabia existir.
Conversando com a dona da loja, comentei que eu tinha um bonsai de 35
anos e depois de alguns minutos, ela concluiu que ele não devia
estar muito bem e sugeriu que eu o deixasse uns dias na loja, assim
ela trocaria a terra, adubaria, podaria e devolveria ele em ordem.
No dia seguinte levei meu bonsai pra receber cuidados.
Desta vez conversamos sobre minha avenca, o bonsai, meus vasinhos de
violetas de 5 reais*.
Essa "Dona" tinha as unhas curtas e mal cuidadas de tanto
cuidar da terra.
Carregava uma aliança na mão esquerda toda riscada.
Tinha na voz uma calma de fonte d'água.
No tempo que fiquei na loja, fiz perguntas que não me lembro,
recebi respostas que não me recordo.
Meu bonsai ficou pra receber cuidados e eu me sentia bem.
Dona Lurdes com seu quintal com arruda, alecrim e abraço que
cura.
Essa "Dona" com sua loja e sua presença que acalma
e distrai.
Ahhh, o bonsai...
Comprei o bonsai e lá fui eu, novamente ganhar o abraço
(desta vez bem mais longo) da Dona Lurdes.
Felicidade sincera.
Quase criança.
*Dica da Dona Lurdes. Mantenha
sempre um vasinho
de violetas nos banheiros. É para deixar o ambiente livre de
coisas ruins.
Beijos
Alex
|
|
| |
Zélia
me leva
Corre.
Vai comprar o DVD da Zélia.
Da Zélia Duncan.
"Eu me transformo em outras"
Linda num vestido quase circense.
Cercada de gente competente como nunca ví.
Cada um com seu instrumento, afinado pela alma de Zélia.
Ou seria "na alma de Zélia" ?
Bem, tanto faz.
São sambas, choros, maxixes, serestas e muita, mas muita interpretação.
Cada suspiro, pegada de ar, dedo escorregando pelas cordas, é levado
até nossos ouvidos sem filtros.
Intimista,
quase é possível sentir o
cheiro dela.
Ahhh, como seria bom.
Talvez você me encontre atrás de uma das "cortinas-cor-de-cobre"
que cobrem as colunas do cenário feito de janelas e música.
Beijos
Alex
|
|
| |
Tempo,
futuro
Ganhei
o tempo
de estar ao seu lado.
Foi lindo. Ainda é.
As chaves voltam,
minha intenção fica.
Seu tempo é sua escolha.
Suas escolhas,
não me dizem respeito.
Ela é dona dos seus próprios dias.
Meu tempo é meu.
Sinto saudade
mas decidi
em tempo
a mim mesmo,
cuidar.
Hoje,
num divã
não busco a cura,
mas não mais
adoecer de amor.
Beijos
Alex
|
|
| |
Road
Movie
Você
queria estrada.
Percorremos as possíveis e as improváveis.
Você quis mais estrada.
Percorremos as felizes e as sinuosas.
Paramos para encher o peito e seguir
viagem.
Você desceu para esticar as pernas, se demorou.
Esperei até as luzes se apagarem e o cão sujo se recolheu.
Você não apareceu.
Sigo viagem sozinho.
Que estrada percorre agora?
Está à minha frente ou voltou?
Por algum tempo ou muito tempo, não sei.
Estarei nesta estrada.
Pise fundo, fique firme na direção, não saia de você.
Estarei no próximo posto abastecendo minha alma.
Nossa história, um road movie.
Beijos
Alex
|
|
| |
Sem
palavras mas com vontade de falar...
O Amor
e Eu
(Eduardo Gudin)
Um amor
igual a esse onde se vai achar
que quando parte vai pra nunca mais
mas sempre volta vento arrasador
Um amor
bem que podia ser amor normal
tal como eu pedia
no meu pensamento
Penso então
em dar um jeito no meu coração
disciplinar essa situação
e não ficar mais à mercê de mim
e do amor
invento mágoas para lhe machucar
mas quando ele chora
eu é que lamento
Infeliz de quem só quer brigar com o amor
igual eu fiz
melhor é ser a seu favor,
um aprendiz
Se novamente ele me chama
eu vou mostrar que esse
meu jeito mudou
se é pra ser feliz
eu vou
Onde Deus Possa Me Ouvir
(Vander Lee)
Sabe o que eu
queria agora meu bem?
Sair, chegar lá fora e encontrar alguém
que não me dissesse nada
não me perguntasse nada também
Que me oferecesse um colo, um ombro
onde eu desaguasse todo desengano
mas a vida anda louca
as pessoas andam tristes
meus amigos são amigos de ninguém
Sabe o que eu mais quero agora meu amor?
Morar no interior do meu interior
pra entender por que se agridem
se empurram pr'um abismo
se debatem, se combatem, sem saber
Meu amor, deixa eu chorar até cansar
me leve pra qualquer lugar
aonde Deus possa me ouvir
minha dor, eu não consigo compreender
eu quero algo pra beber
me deixe aqui, pode sair
Adeus.
Ambas
as letras são do cd "nos horizontes do mundo" de Leila
Pinheiro
Beijos
Alex
05
/ Campinas SP
|
|
| |
Pretensioso
samba
Erramos
na dose
Erramos no santo
Acertamos o passo
Trançamos as pernas
Sorrimos ao luar
Amanhecemos nús
Desisti
de te esquecer
Me mata saudade
Cantamos o enredo
Gritamos o amor
Louvamos o futuro
Atropelamos as horas
Olhamos nos olhos
Nos perdemos nas bocas
Desisti
de te esquecer
Me mata saudade
Façamos
um trato
Bem combinado, sem o diabo
Daí, você abre um sorriso
Daqui, rasgo meu peito
Um nó na garganta
De amor refeito.
Desisti
de te esquecer
Me mata saudade
Beijos
Alex
05
/ Campinas SP
|
|
| |
Saudade
de errar
Ah,
que saudade do tempo em que uma longa equação matemática,
gravada à lápis Faber Castell preto nas folhas de um caderno
brochura encapado com plástico quadriculado azul, podia ser apagada
com borracha Mercury verde ou um pedaço de miolo de pão.
Poder se arrepender de ter comido tanto bolo de cenoura por gula.
De perder a unha com o carrinho de rolemã ou se ralar no futebol,
mas mesmo assim, no final de tarde chupando Geladinho ou Chup-Chup, se
divertir contando com empolgação cada uma das aventuras
e desventuras de ser criança.
Saudade de poder ter medo de escuro, homem-do-saco ou loira-do-banheiro.
De brigar com seu melhor amigo e, no dia seguinte estar junto dele novamente
fazendo guerra de seringuela (será que é assim que se escreve?).
De olhar para nossa namorada como se ela fosse a primeira e última.
De ser repreendido e apanhar de nossos pais e eles continuarem sendo nossos
pais.
De olhar para trás e ter saudade.
Nos tornamos adultos, e não nos permitimos mais erros, medos ou
arrependimentos.
Histórias acabam por uma data de aniversário esquecida,
por um descuido com a camisa. Por tudo ou por muito pouco.
Continuo aqui, frente ao teclado escrevendo, sobre meus defeitos, sobre
meus medos (eternos), sobre meus desejos, sobre meus projetos, minhas
angústias...
Beijos
Alex
|
|
| |
Açúcar
mascavo
Tomar
café me faz viajar.
Talvez para muitas pessoas ele proporcione a mesma sensação.
O aroma, todo o processo que veio antes, possível de se imaginar...
O encontro com a saliva.
Na próxima vez que for tomar um café, preste atenção
ao açucareiro com mascavo.
Pegue a colher, mexa no açúcar e pare.
Observe que mesmo depois que você parar de mexer ele parecerá
vivo.
Me sinto tão mascavo.
Algumas pessoas, como uma colher de prata, entram ou passam por nossas
vidas e mesmo depois de ausentes, continuam a provocar mudanças
sensíveis em nosso conteúdo.
Fecho o tubo de creme hidratante, escolho melhor minhas roupas, cuido
melhor da minha saúde, me olho no espelho antes de sair, ouço
Moby, não deixo a barra das minhas calças tão compridas,
como menos porcarias, leio mais, dirijo com mais calma, levantar da cama
não é tão urgente, danço mais, me demoro mais
no banho...
Beijos
Alex
|
|
| |
John
e eu
Rami,
o que seria sem a Clarinha?
Grá,
o que seria sem a Má?
Má, o que seria sem o Gabi?
Gabi, o que seria sem a Dora?
Dalmo, o que seria sem o Marcos?
Vera, o que é sem o Bilo?
Andréa, o que seria sem a Marina?
Solange, o que seria sem a Raquel?
Morelli, o que seria sem sua filha?
Não é preciso pensar.
Coloque John Pizzarelli no cd player e deixe o dia passar.
É novembro e os dias se demoram.
Lá fora, tanta luz.
Amores são assim, só precisam de tempo para existir.
Beijos
Alex
|
|
| |
Dona
Odila
Logo
abaixo no texto APENAS..., eu escrevi nas primeiras linhas "pelo
olhar da senhora atrás das grades de sua casa".
A Dona Odila, como era conhecida na rua, era uma senhora de uns, 70, 80
anos que morava sozinha quase em frente à minha casa.
Dona Odila, uma cachorrinha que parecia tão idosa quanto ela, um
gato e um outro cãozinho mais novo que parecia ter epilepsia eram
os moradores do número 28.
A casa sempre arrumada, jardim bem cuidado.
Todas as manhãs, Dona Odila saía com a cadelinha para passear
pelo quarteirão.
Não mais que isso, pois a cadelinha já apresentava dificuldade
para andar.
Poucas vezes me encontrei com Dona Odila.
Ela sempre muito ativa e falante, normalmente vinha me contar sobre a
promoção que a filha tinha conseguido na empresa "multinacional"
onde trabalhava.
Nunca saberei se a filha foi promovida tantas vezes mesmo ou era ela que
repetia a história continuamente.
Um filho, talvez com uns 45 anos vinha, talvez, uma vez por semana ou
menos visitar dona Odila.
A filha da "multinacional"? Não sei.
Tenho ficado bastante em casa, e com isso observado com mais atenção
o que acontece à minha volta, porém, não dei falta
dos passeios de Dona Odila no fim de tarde.
Ontem, uma outra vizinha gritou do outro lado da rua...
- Alex, você soube que a Dona Odila morreu sozinha em casa faz uma
semana?
Olhei na direção da casa da Dona Odila e a casa de Dona
Odila estava lá.
Ainda com o jardim bem cuidado.
Coloco a cara para fora de casa, corro os olhos pela rua e não
vejo nada diferente.
Dona Odila não mais será vista com sua cadelinha.
Dona Odila era vizinha gente boa.
Fazia suas fofocas como toda senhora sozinha e sem muito o que fazer,
faz.
Penso no que cada um de nós significa na vida de outras pessoas.
O que fica na memória de cada um que passa por nossas vidas?
O que deixamos na história de cada pessoa que conhecemos?
Que peso nossas vivências em comum têm?
Dona Odila se foi.
Eu estou aqui.
Beijos
Alex
|
|
| |
Amo
assim! Integralmente. Piegas? Por que não?
Estou
cansado de ouvir conselhos inúteis para minha saudade.
Estou cansado de pensar em quais palavras usar.
Obrigado Carol por essa experiência.
Clique, aumente o volume e mesmo sem entender o significado da letra,
deixe-se levar pelo que seus olhos podem ver.
Clique
aqui
Beijos
Alex
P.S. Conheçam http://caroltafuri.weblogger.terra.com.br/index.htm
|
|
| |
Apenas...
Hoje
estou apenas triste.
Triste pelos olhares sérios nas ruas.
Pelo vento constante.
Pelas nuvens cinzentas que não farão chuva.
Pelo olhar da senhora atrás das grades de sua casa.
Pela pressa dos carros.
Pela lâmpada que sempre queima.
Triste por não ver meu filho faz tempo.
Pela minha neta que não dorme aqui.
Pela mancha em minha camisa preferida.
Por te convivido pouco tempo com meus avós.
Pela caixa de correio sem notícias de longe.
Pelo passaporte ainda com folhas em branco.
Triste pela música que entra pelos meus ouvidos.
Pelo cão sem uma pata que revira o lixo.
Pela vida dos personagens do livro que li.
Pelo escorpião dentro do vidro de álcool.
Pela barriga da menina no semáforo.
Por meu pai estar se apagando.
Triste pela roupa no varal.
Pela planta sem água.
Pelo arroz que queimou.
Pelo silêncio na casa.
Pelas histórias de amor que começam e terminam.
Por amar e ter esperança.
Beijos
Alex
|
|
| |
Duas
linhas
Me recolho pela sinceridade que devo a mim mesmo.
Me encontro em algum ponto entre eu e o amor.
04
/ Campinas SP
|
|
| |
Lorena
Calábria na sala de chat
O chat
aparece na frente como a mais fácil, acessível e rápida
solução para a saudade.
Uma paraplégica, uma loira disponível, um boy dotado e
dezenas de outras pessoas e seres cibernéticos se colocam disponíveis
para um contato notívago e íntimo.
Conversas perdidas de gente perdida.
Um teclado e a ilusão de que a Lorena Calábria apareça
numa sala de chat para conversar comigo.
Sempre sonhei com ela. Minha deusa inatingível.
Bem, é ela que eu procurava nas salas de chat tentando fugir
do vazio das madrugadas regadas a cerveja, cigarro e blues.
Minha fuga para estas madrugadas de saudade "dela" e não
da Lorena.
Suspiro.
Me perco com o piscar do cursor na tela.
Conto os passos dela pela casa, os fios de cabelo no ralo do banheiro,
vejo entre seus dentes separados outro cursor.
A noite se estende, o cigarro se apaga, a vista se cansa, o líquido
evapora.
Clico em desativar.
Beijos
Alex
04
/ Campinas SP
|
|
| |
Me
mostro do jeito que sou
Quando
eu era garoto, como todo "bom muleque" me metia em brigas
na rua com outros meninos e às vezes meninas.
Meu pai, dando continuidade ao que meu avô havia lhe passado,
tinha esta frase na ponta da língua, sempre eu entrava em casa
chorando...
- Chorando? Apanhou na rua? Pode parar de chorar senão vai apanhar
de mim de novo. Vai lá, bate em quem te bateu e limpa essa cara.
E lá ia eu de novo pra rua. Atrás do "muleque"
(que às vezes era maior que eu), dar uma surra para não
apanhar em casa.
Aprendi com isso que, mesmo maior do que nós, às vezes
a gente consegue dar conta de grandes medos.
Por outro lado, desaprendi a chorar.
Chorar era para os fracos e medrosos.
Mesmo adulto me senti por muito tempo sem "forças"
para chorar.
Sem coragem para chorar.
Me perdoe o sambista pela liberdade mas ... "eu
choro sim, estou vivendo".
Me perdoe, meu pai, pois eram outros tempos sem revista "Pais e
Filhos".
Me perdoem as mulheres, que acham lágrimas nos olhos de um homem
uma fraqueza.
Me perdoem os homens, que acham coisa de "fracote".
Choro no banheiro, no carro, na rua, tomando café.
Hoje me sinto mais forte do que quando garoto.
Pois consigo mostrar minhas lágrimas.
O choro é sinceridade, coragem de se emocionar, transparência.
Por trás de máscaras, lágrimas não seriam
vistas.
Ops, o lenço de papel acabou.
Beijos
Alex
04
/ Campinas SP
|
|
| |
Resgate
Anos atrás,
eu escrevi um poema que acho pertinente resgatar nesse momento...
Quem fica,
tem na gaveta,
rabiscos de outros amores,
anotações
deste que se foi.
Tem tinta,
papel,
tempo
e luz na janela.
...tem tinta, tempo e luz na janela...
Queria me convencer de que apesar de tudo que havia passado, eu tinha
tempo para viver ainda.
Sentia-me movido por uma vontade enorme de correr atrás de preencher
o vazio deixado pela ausência do outro.
Acho que é como se estivéssemos com sangue jorrando por
uma artéria pulsante, e a única forma de estancar fosse
tapar com nosso próprio coração ou o coração
de outra pessoa.
Como somos ingênuos.
Nessas situações, o coração que cumpre função
de tampa para o sofrimento, pode não ter tipo sangüineo
compatível e nos levar à morte mais rápido.
Não quero mais isso. O risco é demasiadamente grande.
Quero tempo para que as coisas na minha cabeça e no meu coração
se ajeitem.
Para que eu fique de pé. Me restabeleça.
O papel e a tinta é para manter ela sabendo que ainda a quero
do jeito que ela é.
E o tempo, o tempo é para tudo, santo remédio.
O tempo é para pensarmos, para olharmos para trás com
otimismo.
E a luz na janela para enxergarmos os acertos e não os erros.
...rabiscos de outros amores...
Beijos
Alex
04
/ Campinas SP
|
|
| |
Passeio de bicicleta
A cena faz parte do inconsciente de todos nós. Pelo menos da
maioria.
O pai correndo atrás do filho segurando a bicicleta.
O filho olhando para trás, conferindo se o pai ainda está
lá.
Apoiei ela em todas as suas voltas pelo parque.
Às vezes olhando de longe, às vezes bem perto.
Ela olhava para trás, e sempre podia contar comigo.
Meu exercício de liberdade para com ela, era um exercício
de cuidar.
Algumas vezes ela ralou o joelho ou até sumiu atrás das
árvores me deixando apreensivo, às vezes se escondeu propositalmente
para ver se eu estava atento.
Nunca a poupei dos tombos, mas estava lá para ajudar a se levantar
e continuar.
Nem sempre acompanhei ela nas pedaladas rápidas, pois estava
à pé.
Me sujei de graxa, colocando a corrente no lugar.
Lavamos juntos sua bicicleta.
Foram dias de sol e de chuva.
De vento e de mormaço.
Mas sempre dias lindos por estar com ela.
Não sei ao certo por quais parques ela anda agora.
- Hey, garoto, venha cá por favor.
Se encontrar uma garota, morena, cabelos cacheados, sorriso aberto e
lindo pelo parque entregue este bilhete a ela.

Tome, vá compre um picolé de limão pra você
e um pra ela.
Beijos
Alex
04
/ Campinas SP
|
|
| |
Vestidinho
de Chita
Foram
vários dias buscando um vestidinho de Chita.
Ela sonhava com ele. Eu sonhava com ele.
Linda como ela, seria injusto dizer que ficaria mais bonita com o "tal"
vestidinho.
Mas ficou.
De alcinha e flores miúdas, acabei vendo ela apenas uma única
vez usando com ele.
Meu desejo era ver este vestidinho se desmanchar no corpo dessa mulher.
Se ele aguentasse 10, 20, 50 anos...estaria ali eu, sentado, esperando
a primeira alça se desprender do corpo e escorregar pela pele
morena e lisa.
Quero acreditar, me perdoem os terapeutas que ainda presenciarei essa
cena.
A gente vive de esperar. Esperar um grande amor, um filho, o macarrão
estar no ponto, o vestidinho de Chita ser colocado na vitrine. Por que
não pelo amor?
Comecei a ler um livro de um escritor japonês chamado Haruki Muramaki
(Norwegian Wood é o nome do livro), onde as primeiras páginas
descrevem um passeio do protagonista com sua amada por um bosque, onde
diz a lenda existir um poço onde pessoas caem para nunca mais.
Em determinada altura do texto, Naoko (se não me engano), pega
no braço do nosso Toru e diz algo assim...
- Se me segurar em você, e o tal poço me pegar, não
cairei.
E seguem o passeio.
Vestidinhos, escritor japonês, poço?
Onde
me perdi?
Vestidos de Chita, pedem paciência até que o que mais lindo
de todos apareça.
Poços no caminho são inevitáveis.
Medos devem ser compartilhados, assim parecerão menores.
Vestido de Chita deve ser procurado a dois.
Beijos
Alex
04
/ Campinas SP
|
|
| |
Bolinhas
de gude em latas de sorvete Kibon
Meu avô
Dito dizia que "para morrer basta estar vivo".
Básico e serve para tudo.
Porém onde eu aplico essa "máxima" e que mais
me incomoda é no amor.
Para perder alguém, basta estarmos juntos.
Para deixar de amar, basta estar amando.
Da morte a gente sabe que não escapa. É inevitável.
Do amor, não esperamos (ou não nos preparamos) para perdê-lo.
Eu sempre fiz uma metáfora com relação ao amor.
Bolinhas de gude em latas de sorvete Kibon.
Quando eu era garoto, eu era muito bom em bolinhas de gude - Biroca.
Minhas latas de sorvete Kibon (eram três) viviam cheias de bolinhas
de gude.
Acho que milhares delas.
Imagine
duas pessoas apaixonadas. Cada uma entra na relação com
uma lata de sorvete Kibon cheia de pelotas.
Um dia um dá ao outro 3 bolinhas de ferro (eram tiradas de rolimãs
desmontados a golpes de martelo), 5 verdes de vidro e duas coloridas
(bem raras).
No outro dia o companheiro retribui com 1 colorida, 6 de ferro e duas
leitosas.
E assim essa cumplicidade segue.
Na média, nenhum perde ou ganha muito.
O nível nas latas se mantém normal.
O perigo é quando um dos dois só dá suas bolinhas,
o nível de sua lata baixa e depois de algum tempo o outro cai
fora da relação.
O que resta? Uma lata de sorvete Kibon Vazia.
É esse vazio que nos leva ao desespero.
Essas bolinhas de gude, de ferro, verdes, brancas, leitosas ou até
lascadas foram sendo acumuladas por anos. As experiências que
juntamos ao longo de nossas vidas se vão e com nosso consentimento.
Você assistiu "O incrível Destino de Amélie
Polanc"?
Você se lembra da cena em que um dos personagens ainda garoto,
está no pátio da escola com os bolsos do paletó
cheios de bolinhas de gude que ganhou no intervalo e estes se rompem?
Essa é a sensação para a qual nós não
nos preparamos, pois ninguém, ao estar envolvido num grande amor,
se prepara para a perda, para o fim, para o bolso rasgado, para a lata
vazia.
Nossas "pelotas" são preciosas demais e só nós
mesmos sabemos o quanto nos custou juntá-las.
Nossas "pelotas" nos preenchem completamente como grãos
de areia numa ampulheta.
São elas que nos mantém plenos.
Cuide de suas bolotas de vidro, pois são tão frágeis
quanto o brilho que produzem umas nas outras.
Beijos
Alex
|
|
| |
Cone de chocolate
São
dois os temas dos quais eu gosto e mais me sinto a vontade para escrever:
erotismo e amor.
Erotismo, sexo, pornografia. Tanto faz.
Sacanagens, obscenidades. Muito mais.
Benditos aqueles que sempre me condenaram por ser obsceno.
Suas críticas é que me motivaram a escrever mais.
Nenhum assunto mais adequado que o sexo, que quanto mais reprimido mais
gostoso parece.
Bem, sobre sexo e sacanagens escreverei outro dia.
Relacionamentos,
amores, paixões. Tanto faz.
Fossa, rompimentos. Muito mais.
Gosto de escrever sobre o amor e suas variáveis porque dele eu
entendo, ou melhor, eu o vivo. Seria pretensão demais dizer que
o entendo, pois não acredito que alguém o entenda.
Eu diria que desfruto do amor.
Acho que é o máximo que chegaremos de sua compreensão.
A compreensão
do amor vem da vivência dele.
Enamorar-se, compartilha-lo, administra-lo e perdê-lo.
Essas e outras tantas fases que compõem a vivência do amor
é que dão corpo à expressão - "Estou
amando".
Quando se está amando, somos tomados pela mesma energia adolescente
que nos faz acreditar que somos imortais e que o amor também
é.
Quando estamos amando não nos preparamos para o fim, já
que fechamos os olhos e vivemos o presente.
Ninguém toma um "Corneto" lamentando o inevitável
momento em que chegaremos ao minúsculo "Cone de chocolate".
Nos deliciamos desde a violação do rótulo dourado,
das raspas de chocolate, da primeira lambida. Ninguém pensa no
final.
E se tudo correr bem...ele chega.
E onde estaremos nessa hora?
Ainda lambendo os beiços.
Sempre
que chegamos ao cone de chocolate olhamos para trás e ficamos
assustados. Cada etapa dessa degustação só existe
dentro de nós.
Restam lembranças, fragmentos depositados no colo.
Lasquinhas que desesperadamente passamos a recolher.
No "Corneto", a casca é quebradiça.
Você pode morder com toda a cautela, mas não saberá
dizer com certeza como ela vai se quebrar.
O amor também é assim. Podemos errar na tentativa de acertar.
É impossível darmos passos que acreditamos serem corretos
com a certeza do resultado.
O amor é levado por uma "Fragilidade Caótica".
Como proteger
o amor do inevitável fim?
Deliciando-se dele, consumindo ele, degustando ele.
Tente "apenas" protegê-lo e ele escorrerá por
entre seus dedos.
O amor existe para ser vivido, mesmo da certeza de que um dia chegaremos
ao "Cone de chocolate".
Beijos
Alex
|
|
| |
De cães,
mães e avencas
Durante
meus 38 anos só não corri atrás do amor da minha
mãe, do meu cão e das plantas. Avencas, para ser mais
exato. Adoro avencas.
O amor de mãe está sempre disponível, gratuito.
Seja na forma de chá de erva-cidreira ou um telefonema no meio
da madrugada por ter sonhado com a gente. Mãe é assim.
No amor com um cãozinho, você recolhe o cocô, dá
banho, passeios e afagos pela fiel, constante e incondicional companhia.
Para uma planta você dá água, atenção
(tem gente que conversa com elas) e sol. Ela te dá suas cores.
Muitos amores. De todos os tipos.
Porém nenhum deles se vai.
Nenhum deles se acaba.
Uma mãe não deixa de amar seu filho, mesmo que este se
torne um criminoso.
Um cão, mesmo passando fome não abandona o mendigo, seu
companheiro de viagem.
Por duas vezes em minha vida ouvi:
"Não te amo mais".
Amor de casal acaba, desgasta, some.
Acho que o sofrimento pelo qual passamos ao fim de um romance, namoro
ou casamento, só acontece porque nos acostumamos com os outros
amores: o da "avenca", do cãozinho e de nossa mãe.
Crescemos acreditando que como o amor de mãe, todos os outros
durarão para sempre, independente de faltar água, passeio
pelo parque ou afago.
Nossos cães, plantas e nossa mãe nos acostumaram mal.
Neste momento estou olhando pro "meu cãozinho" que
dorme no canto da sala. Sua respiração é calma.
Respiração de quem tem a certeza de que ao acordar, meu
amor e atenção ainda farão parte de sua vida.
Precisamos amar nossos companheiros como aprendemos a amar com nossas
mães, avencas e cãezinhos.
Como as avencas (ou samambaias) se saciar com a luz do sol e a água
que for possível ter naquele momento. O amor nem sempre vem com
o mesmo sabor mas se for real, ele vem. O amor pela avenca é
o amor que vez ou outra parece pouco mas todo dia dará sinal
de vida, mesmo que em gotas.
Como os cães, termos a tranqüilidade e confiança
no futuro. Manter a respiração calma. Saber que mesmo
que numa bronca por ter feito xixi no tapete, esse amor está
se manifestando. Que um banho, um afago ou a simples presença
nossa é amor.
Ele continua dormindo no canto da sala.
Como as
mães, saber que a desobediência, o vaso quebrado ou a comida
deixada no prato não abalam o amor que tem por nós.
Quem disse que qualquer amor não pode ser assim?
Amores reais requerem leveza, luz, presença flexibilidade, entrega,
confiança no amanhã.
Amores reais não se abalam por copos quebrados.
Eles sobrevivem mesmo que a custas de gotas d´água.
Não falo de submissão, passividade e olhos fechados.
Amor real sobrevive de um sorriso de bom dia, o perfume no ar e saudades.
Abrace mais sua mãe, observe mais seu cão e cuide de sua
avenca.
Quem sabe você não aprende a amar....
Beijos
Alex
|
|
| |
Manhã de setembro
Vento forte e às vezes frio.
Uma segunda-feira como as outras, com aquela sensação
de que estou perdendo alguma coisa. Talvez uma cama quente ou um Capuccino
em Campos do Jordão.
Sento no Café da Zezé e me contento por estar em Campinas,
numa segunda-feira como as outras....fria.
O sorriso da Zezé me abraça.
O dia não parece mais tão frio.
Gente apressada de cara fechada.
Carros velozes e sinal vermelho.
A Leila Pinheiro sai da caixa de som no alto da parede laranja e o Capuccino,
que está quente, toca minha boca com uma frieza glacial.
É a música.
Os amores quando acabam, não acabam apenas com nossas vidas e
nossos corações. Quando amamos, criamos a "soundtrack"
dessa história com as músicas que mais gostamos.
Todos os estilos em todas as vozes, bossa, jazz, rock e até brega.
Até Roberto mas na voz da Bethânia.
De tudo um pouco para algo que achamos muito.
Um amor acaba e daí em diante nossos olhos passam a pular "aquele"
CD na estante, nossos ouvidos passam a ignorar "aquela" voz
no rádio e nossas bocas se calam toda vez que percebemos que
estamos cantarolando em falso-inglês "aquela" música.
Na mala foram alguns discos.
Pela porta saíram minhas músicas.
A sensação de que perdi alguma coisa é real.
Amores e histórias passam.
Pessoas passam.
Os carros passam.
O sinal está verde.
Beijos
Alex
|
|