
Essa
corda
limita o movimento do músculo,
interrompe a gota de suor,
marca a carne branca,
sufoca o grito e
atiça a fantasia de quem vê.
O nó
fecha o trabalho,
é assinatura de quem te prende.
Sua alma de mulher
escapa pelos poros.
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Que sabor tem
essa maçã?
Ácida
como o amor ignorado?
Doce para
o paladar dos apaixonados?
Amargada
pelo tempo?
Que pecado
carrega essa mulher?
O de não
se entregar
ou o de
não estar...
aqui.
Te cobro
esse tempo.
Me cobro
o esquecimento.
Serpente,
me tente até não me aguentar mais.
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Nossas
escolhas,
um ticket
para nossa próxima viagem.
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Brincadeira de
todos.
Um dos outros
por todo lado e
todo o tempo.
Do que era apenas pele,
fizemos um órgão.
Somos coração.
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Para bocas aflitas,
para olhos ansiosos,
para mãos indecisas,
para seres perdidos
por amor.
Os seios de Anacarolina.
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Se quer tempo
para pensar,
te dou.
Se quer no que pensar,
te digo.
Se quer onde pensar,
ao meu lado.
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Descasque a vida.
Descasque o amor.
Descasque sua história.
Junte tudo num liquidificador.
Despeje numa taça suja de vinho
e terá a nós.
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Para quem diz
que não, responda...
por que não?
Para quem diz errado, responda...
quem disse?
Para quem diz pare, responda...
não quero.
Para quem diz por quê, responda...
amor.
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Você
se distanciou
do meu ser
mas não deixou
de ser,
quem amo
de forma acima
de homem-mulher.
Queria te ter
todas as manhãs
mas,
minha fé no mundo diz,
espera.
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Tenho
saudade de tudo que nos fez dois
antes de sermos três.
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Depois
de uma carona,
nunca mais deixei de ser
passageiro nessa vida.
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Perdidos
de amor,
Encontrados na cama.
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Um
dia será pouco para a
vontade de uma vida.
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A
luz do quarto desenha
uma silhueta confusa
de corpos colados de suor.
Cabelos na boca e
cansaço esperado
Resta o melhor...
sentir o coração.

Disse
ela,
que sou homem
de duas mulheres.
Digo eu,
sou homem
de duas mulheres.
Uma, ela perto.
A outra, ela longe.
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Meu
destino
se destila
na febre
da solidão.
Me embriago
com doses
da sua existência.
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De
tantos caminhos
escolhemos este.
Chão firme de
outras histórias
que nos faz crer,
que outros desvios
vão aparecer.
Margeado por rio
de águas claras,
os pés descalços
e sede sem fim,
nesta trilha cristalina
sua alma
procura a minha.
O que buscávamos,
onde, e porque,
depois da poeira
do passado,
abre-se à nossa frente
um horizonte
grande o bastante
para a urgência de amar.
Depositamos a bagagem
na beira do caminho,
onde,
de longe,
já havíamos escolhido
ser nosso ponto final.
Esse é o lugar
onde rotas de outras terras
trazem pessoas
de outras almas.
Onde eu e você
como chão e estrada,
capim e gado,
unidos estamos
por suprema
decisão.
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Faço
da minha boca,
o cálice do teu gozo.
A recebo com fome
de você!
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Beijos
ardentes
de dentes se tocando
de tamanha impaciência
de beijar.
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Roupa...Nua
Cama...Pia
Carícias...Mordidas
Sedução...Penetração
Tempo...Curto
Contemplação...De novo
Banho...Suor
Um...Três
Hoje...Agora
Sexo urgente
Cadê meu relógio ?
Junto da minha calcinha
Tchau
A gente se vê
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Língua
áspera
sem olhos
nem maneiras.
No céu sem estrelas,
as cria.
No sexo sem fronteiras, as amplia.
Assim.
Toca em mim !
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O
dedo
do seu pé esquerdo
é brinquedo.
Chupeta
Passatempo
Coloque-o
na minha boca
e me faça dormir.
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Saliva.
Facilita nossas bocas
em outras.
Abra caminho
no ninho dela.
Seduza meu verbo certo.
Mostra ao mundo
tudo.
Quem te mata?
A janela aberta?
O lençol?
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Cheiro,
textura, cor,
forma, fetiche.
Seu sexo.
Seus pêlos na minha
boca.
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A
maçã está no chão
Além de na sua boca.
O esmalte de suas unhas,
agora são traços desesperados
no verniz da mesa.
A toalha,
assume vezes de lençol.
Farelos de pão grudados
no suor de suas costas.
Talheres sujos de manteiga,
tilintam ao bater no chão.
As xícaras amarelas,
agora são apenas fragmentos
de um dia ensolarado
que insiste em terminar
com a noite.
O leite,
como mar tempestuoso,
da borda do copo cambaleante, vai e vem...
Ovos,
olhos estalados do oxigênio que agora parece faltar.
É urgente,
como o alimento,
nos comermos pela manhã.
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Boca
suja
em mulher bonita
é lindo.
Palavras impróprias,
a lábios menos ainda.
A maciez da carne
e a secura da palavra.
O som do inesperado.
Do incomum.
Flor.
Que nasce no sertão.
Salivada.
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Falo
com palavras trocadas
para disfarçar a intenção.
Falo
com palavras proibidas
para chocar a razão.
Falo
sem conexão
sem ritmo
ou correção.
Falo
assim
do Falo.
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Você
diz
que a dor valeu.
O suor,
a aflição descrita,
o gozo.
É o certo pelo errado.
O prazer pela dor.
E os joelhos
como testemunhas.
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Da
ressaca
do
cansaço
da embriaguês
do cheiro
do seu sexo,
desfaleço.
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Um
dia
olhei ao lado
e não havia ninguém.
Aguardo
e niguém mais
passa pela porta.
Tranco
e guardo
as chaves não sei onde.
Deito e vejo
que não há paredes.
Olho e percebo.
O horizonte é meu.
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Coloque
sua roupa,
pegue seu dinheiro
e vá.
Estou satisfeito,
com sua nudez.
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O
calor dos teus pés deixa marcas
no piso gelado da sala.
Tão breves, deixam de existir,
no momento em que as conseguimos ver.
A cada passo,
um pouco de nós se funde ao caminho,
e tão logo tomamos isso como certo,
certo deixa de ser.
Assim você passa, com graça,
e me deixa sem olhos
diante da certeza
de que tudo um dia,
sob seus pés,
acaba.
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Sobre
seu sexo
A lâmina avança
Contra-sentido
Contra-padrão
Contra-mesmice
A lâmina avança.
e mostra
o que minha boca quer ver.
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Fio
de imagem
que passa pela porta entreaberta,
revela os contornos
do seu corpo em descanso.
Roupa íntima preta
sobre pele clara
mostra os contrastes
da noite sobre o dia.
Lembra um prazer
onde cheiro e sabor
formam imagem que me vicia.
Me alimento
de sua beleza matinal.
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O
coração pressente
um corpo ausente.
Ausente do perfume,
do próprio cheiro se basta.
Ausente da cor,
da totalidade delas existe.
Ausente de formas,
de tão sublime domina.
Ausente de manifestação,
na inércia se contempla.
Ausente dele me sinto.
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Surge
na boca rosa e escorre.
Pelo pescoço marcado,
pelos seios alertas,
pela barriga clara.
Pelos pêlos desvia e segue.
Pelo íntimo seu,
pelas coxas longas,
pelos pés contraídos.
Dos dedos se desprende
e voa.
Para minha boca,
pela minha garganta,
para dentro de mim.
A viagem desta gota de saliva
antecede teu gozo
e minha loucura.

Vestida
da profundidade
de quem se quer longe do sol,
sua pele branca só te faz
mais luz.
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A
flor se vai.
Fica o perfume ou o sangue na ponta dos dedos.
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Você
me morde
como se minha carne
estivesse crua.
Não quero a dor
do seu amor
"mau" passado.
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O
tempo e seus longos dedos
criam e dissolvem amores.
Trazem e afastam pessoas,
mas minhas histórias não alcança.
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Abra
sua alma e feche suas pernas.
Do teu corpo quero o que não vejo.
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A
encontro seca.
A revelo doce.
A abandono no suor.
Minha língua viaja pelos seus sabores.
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Carrega
uma rosa no seu dorso
que pede rega só de amor.
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Quando
sua boca disser: não te amo.
Quando sua ansiedade disser: vou.
Quando sua mão disser: acabou.
Feche seus olhos,
pois eles não conseguem mentir.
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A
porta se abre e
o vento úmido entra.
Na bagagem tudo.
Tudo mesmo.
Meu coração atado
à uma sandália
segue viagem.
Fecho a porta e
o vento cessa.
Fico sem ar.
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Quero
te ter
por um tempo,
imperfeito nas horas,
perfeito na eternidade.
Todo o tempo
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Somos
feitos de dois tempos.
O beijo e a fusão.
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Plagiando Chico...
Nos
entendemos
por não saber o que falar.
Nos
rendemos
por não querer lutar.
Nos
damos
por não cabermos em nós mesmos.
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Não
preciso estar em você,
nem dentro,
nem todo.
Não
preciso ver você,
nem perto,
nem sempre.
Não
preciso sentir você,
nem muito,
nem agora.
Minha
urgência
é a sua existência.
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A
certeza que teu sorriso estampa
é a fraqueza que meu coração precisa.
__________________________________
O
bico do seu peito é
alvo que mata.
Hipnótico.
Um olho que não vacila.
Atento,
sempre.
A fitar minha boca.
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Com
nariz de cão
sigo a pista do teu prazer.
Em sua nuca farejo
o perfume do mundo.
Desço na certeza
de ter descoberto na sua bunda,
o perfume de minha loucura.
__________________________________
Abra
as pernas e feche os olhos.
Entrarei sem modos.
Sairei sem ir embora.
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Uma
camiseta branca e surrada
encobre os olhos da sua vontade.
Mostre-me esses seios que anseiam
minhas digitais.
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Língua
e saliva, um pacto.
Impulso louco, por tesão.
Vontade de tudo, no ato.
Vergonha e timidez, no chão.
Para onde?
No meu corpo, estou.
No seu corpo, vou.
Como?
No meu corpo, gozo.
No seu corpo paixão.
__________________________________
O
vinho derramado sobre o lençol
faz deste metro de algodão
a bandeira da minha conquista.
Erga sobre sua cabeça.
Você é minha!
__________________________________
Sou
pornográfico
na medida
do seu querer,
na fome
da sua carne,
na necessidade
da sua alma,
na sede
da sua boca,
na urgência
do seu tempo,
do querer
na sua presença,
sou pornográfico.
__________________________________
Carne
macia
e fresca.
Sua boca,
visgo,
vício,
prisão.
Dentes cravados.
Dor,
de não poder juntá-los.
A língua se prepara
para outro beijo.
__________________________________
De
um lado
o despertador e Drummond.
Do outro
o lençol marcado,
o vinho derramado,
o fio puxado,
o baton borrado,
o perfume amadeirado.
De um lado
o despertador e Drummond.
Do outro
sua ausência.
__________________________________
O
olhar
se busca.
A alma
se toma.
A carne
se doma.
__________________________________
Manteiga
no pão.
Torneira pingando.
Roupa no chão.
Cachorro latindo.
Leite fervendo.
Céu se abrindo.
Disco rodando.
Suor escorrendo.
Continuo querendo
só você.
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Minha
boca
o que procura?
Teu sexo?
Teu peito?
Teus dedos?
Procura o silêncio
pra dizer que te amo.
__________________________________
Banhada
no suor.
Amaciada pelas mãos.
Adoçada na saliva.
Gosto da tua carne
servida assim...
quente.
__________________________________
Sua
boca - Equador
Acima a razão.
Abaixo o pecado.
Seu sexo - Paralelo.
Para qualquer lado,
me perco nas horas.
__________________________________
É
ambição
conhecer
todos os corpos.
Todos.
Sentí-los
pelo cheiro,
pelo calor
ou pelo frio.
Sentí-los
por dentro
e por fora.
Todos.
Sem amor.
Sem pressa.
__________________________________
Mostre-se
apaixonada
e terás o mundo.
__________________________________
Que
venha
essa enxurrada.
Enxurrada que
aumenta meu ventre.
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Um
corpo perfeito
que habita a noite
vem
ao encontro de nosso prazer.
É assim, com olhos,
boca,
cheiro,
saliva e suor
que ela chega.
Loucos,
amados,
volúveis,
atrevidos,
atirados
ela nos faz.
Com saudades,
exaustos,
suados,
saciados,
plenos,
ela nos deixa.
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Desejo
que me coloca
no caminho repleto de frutos,
sempre, na primeira vez,
proibidos.
Onde a sede só vem
quando outra sede já foi saciada.
Saciada pela chuva mais esperada,
que jorra sobre nossos corpos,
aquilo que mantém o homem sobre a terra.
Onde o peso do que carregamos,
faz com que pernas e dorso vibrem e
se entreguem ao cansaço,
em tempo nunca igual a ontem
nem amanhã.
Onde
por tanta beleza e intensidade,
faz das vezes passadas,
apenas lembranças de outros corpos
Esperar para quê ?
Deita!
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Orquídeas
me encantam.
Avencas
me enternecem.
Fernanda
me seduz.
Me sinto abelha.
Orquídeas
se diferem.
Avencas
se igualam.
Fernanda
se traduz.
Me vejo perdido
Orquídeas
me dão cor.
Avencas
verde só.
Fernanda
um arco-íris.
Me quero aqui, sob ela.
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Queria
ser flor
e durante dias
sentir seu hálito,
ter sua atenção só pra mim
e a ponta de seus dedos
a me cuidar.
Você, beija-flor?
__________________________________
Na
parede
cercada por outras
também nuas.
Gostosa.
Tesão.
Safada.
Assim a chamo.
Assim, com os olhos te como.
Assim em sua companhia,
espero meu carro
na oficina.
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Quem
fica,
tem na gaveta,
rabiscos de outros amores e
anotações
deste que se foi.
Tem tinta,
papel,
tempo
e luz na janela.
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Certo
dia a vida,
de pura inocência e eu
de inocência dura,
nos traímos
diante do deslumbramento
de outras vidas.
Perdido pelo caminho
que nunca havia trilhado,
deixei de lado a própria vida.
Com os dias se acumulando
deixei,
achando que para sempre,
a vontade de viver.
Nuvens de não sei o quê,
cobriam o céu de carregada cor e
coberto pelo limbo e frieza comum
aos que não se movem mais,
andei e vi, no desenho das letras,
o que em forma humana
já bem perto de mim,
apareceu mulher.
Ali, me resgatei de morte certa.
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Cadê
você?
Onde estão os seus sapatos?
Onde busca, o quê?
O que tem na cabeça?
De nada, só um pouco.
De nada, foi legal.
De tudo, sobrou pouco.
Pouco de muito.
Bastante, nos bastamos.
Bastou.
Basta de pensar.
Viver de pensar.
Penso em viver.
Razão de não ser.
Serviço de amar.
Amar o valor.
De muito valor.
Valeu.
Ahhh.
Seus sapatos estão lá.
Lá, onde a vida...
recomeça.
_________________________________
Passou
raspando nessa vida
sem considerar a geometria do mundo.